Álvares Machado tem o único cemitério japonês da América Latina

Publicado em: 21/06/2017 as 12:06:32



A cidade do único cemitério japonês da América Latina

 

Em Álvares Machado, no oeste do estado de São Paulo, está o primeiro e único cemitério só de japoneses da América Latina, tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo) em 1981.

Sua história está relacionada à imigração japonesa. Os primeiros imigrantes japoneses chegaram por volta de 1916 ao bairro Brejão, que deu origem à cidade de Álvares Machado. Com o tempo, tornou-se constante a ida de japoneses ao interior. Muitos vieram a bordo do navio Kasato Maru, o primeiro que veio ao Brasil e atracou no porto de Santos no dia 18 de junho de 1918. Estes imigrantes se dedicavam à agricultura e, entre 1920 e 1925, já havia mais de 30 famílias no Brejão.

No inicio da colonização, os sepultamentos eram realizados em Presidente Prudente, em um cemitério onde hoje está a rodoviária. Doenças – como a febre amarela – eram frequentes e intensas, foram muitas as pessoas que não resistiram e não havia a possibilidade de transportar os corpos até a cidade vizinha, pois o caminho era feito a pé.

Por isso, foi criada uma comitiva de japoneses com o objetivo de pedir uma autorização para fundar um cemitério com o nome de Cemitério Japonês em 1918. No ohaka (“cemitério”, em Japonês), estão sepultados 784 japoneses e descendentes diretos, e um brasileiro – Manoel, que foi morto ao defender uma família japonesa de um jagunço que queria tomar o sítio.

O cemitério funcionou até 1940 e foi fechado por considerarem a ideia racista. Os enterros foram proibidos no local por ordem do presidente da República – na época, Getúlio Vargas – e os mortos da colônia japonesa passaram a ser sepultados no cemitério municipal de Álvares Machado.

Anualmente, o Shokonsai, culto religioso às almas dos antepassados, é realizado no Cemitério Japonês. No segundo domingo do mês de julho, é celebrada uma missa (católica ou budista), além de os visitantes fazerem orações pela paz e acenderem velas em cada um dos túmulos como homenagem a todos os mortos.



Fonte: Tatiana Maebuchi


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